ASPECTOS GERAIS
Abdominoplastia é o nome dado à cirurgia plástica do abdome. Em geral, fatores como gestações múltiplas, genética e perda ponderal substancial contribuem para o desenvolvimento de frouxidão na pele, depósitos de gordura e distensão da musculatura abdominal, resultando em um contorno abdominal abaulado e desproporcional em relação ao resto do corpo, afetando a auto-estima e gerando insatisfação.
Infelizmente, para alguns pacientes uma dieta saudável e exercícios regulares podem não ser suficientes para eliminar os acúmulos de gordura e flacidez de pele adquiridos ao longo dos anos. Em alguns casos, a flacidez de pele é tão significativa que um procedimento menos invasivo como a lipoaspiração (quando há gordura localizada sem flacidez de pele assciada) não atingiria um resultado estético satisfatório se empregado isoladamente.
Para estes pacientes, a cirurgia do abdome, ou abdominoplastia, está indicada, visando reconstruir a anatomia local e melhorar o contorno do abdome, através da remoção dos excessos de pele, gordura e do reforço da musculatura da parede abdominal, restabelecendo a aparência de um abdome firme e plano.
Por se tratar de uma cirurgia de contorno, a abdominoplastia muitas vezes é associada à lipoaspiração (lipoabdominoplastia), que pode ser extendida à região dos flancos, dorso e outras áreas de necessidade, para obter a melhor harmonia deste segmento corporal.
A cirurgia plástica do abdome não deve ser considerada como um tratamento de emagrecimento, substituto de dietas e exercícios físicos. Pessoas muito obesas obtém resultados pouco satisfatórios e aumentam o seu risco cirúrgico, sendo mais interessante e prudente conseguir um emagrecimento adequado para depois submeter-se à cirurgia. Nos casos de grandes perdas ponderais (geralmente após cirurgia bariátrica – redução de estômago), as ressecções de tecidos são, às vezes, de grandes proporções mas, nestas situações, a indicação cirúrgica geralmente é dada por razões funcionais e higiênicas.
Gestações futuras, presença de cicatrizes de cirurgias anteriores e qualquer alteração substancial de peso após a abdominoplastia podem reduzir a eficácia e longevidade do tratamento realizado.
CIRURGIA
A duração da abdominoplastia pode variar dependendo da extensão de tecido a ser removido ou a necessidade de procedimentos adicionais como a lipoaspiração. Entretanto, a maioria das abdominoplastias dura aproximadamente de 3 a 4 horas. O tipo de anestesia empregada fica a critério da equipe cirúrgico-anestésica, na dependência da avaliação de cada caso, podendo ser realizada sob anestesia peridural com sedação ou sob anestesia geral.
A cirurgia começa por uma incisão transversal na região supra-púbica, logo acima dos pelos pubianos, extendendo-se geralmente até próximo dos quadris. A extensão da incisão e sua forma dependem proporcionalmente da quantidade de pele que será removida. Procura-se sempre posicionar a incisão de forma que a cicatriz resultante fique coberta pelas roupas íntimas e biquínis.
Um descolamento é realizado entre a musculatura abdominal e a gordura, em direção superior, podendo chegar até a transição com o tórax, dependendo da técnica e as particularidades de cada caso. Após a devida hemostasia, trata-se a flacidez muscular através de suturas especiais e traciona-se o retalho abdominal descolado para baixo, a fim de remover os excessos de pele e gordura da parte inferior do abdome. Em pacientes com grandes excessos de pele, uma segunda incisão deve ser realizada ao redor do umbigo, que voltará à sua posição normal no final da cirurgia. Se este não for o caso, o umbigo será apenas reposicionado sem necessidade de uma segunda incisão (miniabdominoplastia).
A combinação destas técnicas oferece um abdome plano e melhora do contorno da cintura. Cicatrizes e estrias localizadas na região abaixo do umbigo, são normalmente removidas com o excesso de pele ressecado. Entretanto, cicatrizes e estrias localizadas nos flancos e região superior ao umbigo, são somente deslocadas para baixo, acompanhando a tração realizada na pele da porção superior do abdome, não sendo eliminadas.
Drenos podem ser colocados abaixo da pele para evitar coleções de líquidos na área descolada e serão retirados no pós-operatório.
A abdominoplastia pode ser substituída por uma miniabdominoplastia quando há excesso de pele e gordura somente na região abaixo do umbigo. Neste caso, a cicatriz supra-púbica é geralmente menor devido a remoção mais econômica de tecido e geralmente não há necessidade de incisão periumbilical.
RECUPERAÇÃO
Pequenas caminhadas, por curtos intervalos, são incentivadas horas após a realização do procedimento para facilitar o fluxo sanguíneo nos membros inferiores prevenindo a ocorrência de trombose. O paciente deve permanecer em repouso absoluto por cerca de 5 a 7 dias, evitando retificar completamente o corpo neste período. Após a primeira semana, recomendamos repouso relativo por mais 3 semanas. A maioria dos pacientes retorna às suas atividades laborativas em aproximadamente 10 a 14 dias e às atividades físicas em tono de 30 a 60 dias, dependendo do tipo de trabalho, do tipo de atividade física e da evolução pós-operatória de cada paciente.
Deve-se utilizar malhas de compressão elástica por um período de 30 a 60 dias visando maximizar a aderência dos tecidos e acelerar a reabsorção do edema (inchaço) e remodelação corporal. Sessões de drenagem linfática devem ser iniciadas tão logo o paciente tolere a realização do procedimento. A freqüência e duração deste tratamento dependem da indicação médica e da avaliação do profissional de fisioterapia responsável.
Pontos não reabsorvíveis começam a ser removidos em média após o 10º dia.
Embora a cicatriz seja permanente, ela esmaece com o tempo. Recomendamos o tratamento das cicatrizes durante os primeiros 6 meses, visando evitar cicatrizes escurecidas, hipertróficas e quelóides, entretanto, o resultado final vai depender da reação cicatricial de cada organismo.
Novas gestações, ganho ou perda ponderal substancial podem comprometer o resultado da cirurgia, enquanto, uma dieta adequada bem como a realização de atividade física ajudam na manutenção do resultado a longo prazo.
Assim como na maioria das cirurgias plásticas, o contorno final pode ser apreciado somente após a acomodação total dos tecidos e a reabsorção total do inchaço, que ocorrem geralmente após 3 a 6 meses.
A abdominoplastia como qualquer outro procedimento cirúrgico estético exige capacitação profissional em Cirurgia Plástica.
Os aspectos referentes à esta e outras cirurgias no que diz respeito aos cuidados pré e pós-operatórios serão abordados em informativos mais detalhados fornecidos durante a consulta médica.