IMPLANTE DE MAMA


ASPECTOS GERAIS

A estética da mama responde a costumes étnicos, sociais e culturais. Não há muitos anos, no Brasil as mulheres solicitavam a diminuição do volume do seio, quando a aspiração do inconsciente coletivo estético era por mamas com pequenas proporções, seguindo a cultura francesa. Nesta mesma época nos EUA, o desejo já era por mamas de grande volume, por vezes de sensualidade até duvidosa, que pareciam mesmo anormalidades, dado seu gigantismo. Nos anos recentes, se observou uma rápida e marcante modificação de padrão na mulher brasileira, quando estas começaram a solicitar mamas maiores, não nas proporções americanas, mas em volumes inimagináveis na década anterior. O que era “defeito” passou a ser aspiração.
É preciso ter muito cuidado, e não propor ao cirurgião exageros nestas técnicas de correção, prevendo a sazonalidade da moda, que muda rapidamente seguindo a velocidade do processo de comunicação da aldeia global.
A mamoplastia de aumento com inclusão de implantes mamários é atualmente um dos procedimentos mais realizados em cirurgia plástica. A realização desta cirurgia pode melhorar a auto-estima e enaltecer aspectos relacionados à feminilidade das pacientes.
Este procedimento visa projetar esteticamente ou corrigir deformidades mamárias congênitas ou adquiridas, sendo indicada nos casos de AMASTIA (ausência congênita das mamas), HIPOMASTIA (volume diminuído das mamas), ASSIMETRIAS (uma mama é menor que a outra), RECONSTRUÇÕES MAMÁRIAS secundárias a um defeito morfológico resultante geralmente de ressecções tumorais, e quando há o DESEJO ESTÉTICO da paciente por um aumento volumétrico e de projeção das mamas.
Com o passar dos anos, fatores como idade, genética, gravidez, amamentação, alterações no peso, exposição ao sol e a força da gravidade podem interferir na modificação da forma e tamanho da mama feminina.
Bons resultados são obtidos em pacientes com mamas pequenas ou que após amamentação tiveram grande redução do volume mamário, sem que houvesse ptose da mama (queda da mama). Porém é importante lembrar que a inclusão de implante mamário por si só, por vezes não é capaz de corrigir a ptose da mama. Nesses casos, geralmente é necessária uma mastopexia associada, com ressecção do excesso de pele.
As mamaplastias de forma geral podem ser realizadas desde que haja um completo desenvolvimento das mamas. Isto tem ocorrido mais precocemente nas últimas décadas devido às mudanças impostas pelas alterações dos hábitos de vida, como o uso freqüente de hormônios femininos e início mais precoce da atividade sexual, dentre outros fatores. Assim, a partir dos 14 a 15 anos já é possível operar adolescentes com desenvolvimento completo das mamas, atendendo suas necessidades funcionais, estéticas e emocionais. Em relação ao período de amamentação-lactação, recomenda-se aguardar pelo menos 6 meses após sua interrupção para programar a cirurgia.
A consulta médica é muito importante para o sucesso desta cirurgia. Apesar de parecer um procedimento simples, existem várias escolhas a serem consideradas e princípios que devem ser obedecidos rigorosamente. Por exemplo, fatores como as características da pele, consistência da mama, localização da incisão e o aumento desejado devem ser analisados individualmente de forma cuidadosa. Em geral, a combinação entre um cirurgião experiente, a obediência aos princípios acima e a utilização da técnica correta maximiza as chances de um resultado satisfatório.
O material empregado na fabricação dos implantes mamários geralmente é um tipo de polímero sintético, comprovadamente biocompatível, conhecido como SILICONE. Este produto é um dos materiais mais inertes (não-reativos) utilizados na prática médica, sendo empregado na fabricação de seringas, substâncias lubrificantes e medicamentos.
O silicone faz parte da composição tanto do revestimento da prótese quanto do seu conteúdo. O revestimento pode conter outros componentes, como o poliuretano, e o interior pode ser preenchido por soro fisiológico ou mesmo alguns tipos de óleos. Cada um destes produtos tem suas particularidades, sendo o mais usado mundialmente o silicone na forma de gel coesivo. Nestas condições, ele é um produto inerte e com alta segurança já que, devido à sua consistência coesiva, caso haja uma ruptura traumática da prótese, o gel não dispersa, causando a impregnação dos tecidos.
A inclusão do implante não altera a função da mama. Sensibilidade e possibilidade de amamentação são mantidas desde que estas condições já existam antes da cirurgia. Não há evidências científicas de que os implantes de silicone aumentem o risco de câncer de mama, distúrbios do tecido conjuntivo ou doença autoimune. O que ocorre é que poderia haver dificuldade na identificação de uma lesão mamária inicial (dependendo da técnica empregada). No entanto, com o controle através da mamografia periódica e o desenvolvimento de métodos mais avançados de avaliação, estes problemas geralmente são contornados. Este assunto deve ser aprofundado e claramente abordado durante sua consulta, esclarecendo todas as suas dúvidas e ponderando as particularidades de cada caso. Casos de câncer de mama na família ou displasias de alto risco devem ser informados e podem contra-indicar esta cirurgia.
Além do tamanho ou volume, os implantes mamários podem variar em termos da forma (redonda, natural e anatômica), perfil (baixo, moderado, alto, super alto), material utilizado no seu interior (soro fisiológico, gel de silicone e outros) e características do envelope (superfície lisa, superfície texturizada e com revestimento por espuma de poliuretano). Em geral, os implantes com superfície de poliuretano e texturizada oferecem os melhores resultados a longo prazo, com menor incidência de contratura capsular.
A cuidadosa análise da largura, projeção e altura da mama é fundamental no planejamento cirúrgico e determinará a escolha do implante. Considerando a enorme variação das mamas existente na população, percebemos que um determinado tipo e tamanho de implante não deve ser indicado para todas as pacientes. Além disso, aspectos como o efeito de eventuais variações de peso, gravidez e cirurgias associadas devem ser claramente esclarecidos. Isto é importante porque estes fatores podem alterar o tamanho e o formato das suas mamas após a cirurgia de uma forma imprevisível.
O tipo, estilo e tamanho dos implantes escolhidos são determinados pelo seu estilo de vida, contorno corporal, quantidade de tecido mamário, tamanho e aparência desejada. Em geral, recomendamos a utilização de um implante de gel de silicone coesivo ou altamente coesivo na primeira cirurgia. Este material normalmente confere naturalidade ao resultado final por ter consistência muito parecida com o tecido mamário. Dependendo do perfil estrutural da sua mama, podemos optar por implantes de formato redondo, natural ou anatômico, oferecendo um melhor controle do formato da mama a longo prazo, especialmente em relação ao pólo superior. Converse com seu médico sobre que tipo de implante mamário é ideal para você.
Com o passar do tempo, a reação natural do corpo é formar uma membrana fibrosa chamada cápsula ao redor do implante. Normalmente, o implante descansará naturalmente no interior desta cápsula, que permanecerá fina e em repouso. Infelizmente, em algumas pacientes este tecido pode contrair, levando a mama a alterar de forma, adquirindo consistência mais endurecida, às vezes com bordas marcadas, perdendo sua naturalidade além da possibilidade de dor. Isto pode ocorrer logo após a cirurgia ou após alguns anos e a intensidade desta resposta é variável e imprevisível.
Felizmente, fatores como a modernização do material utilizado na fabricação dos implantes, refinamento da técnica cirúrgica e utilização de medicamentos específicos diminuiram significativamente a incidência da contratura capsular. Atualmente, este fenômeno ocorre em menos de 2-4% das pacientes e o tratamento consiste basicamente da retirada do tecido cicatricial e a remoção ou troca do implante.
É importante lembrar que os implantes não duram para sempre. Portanto, você deve considerar que novas cirurgias no futuro podem ser necessárias. Em geral, os fabricantes recomendam a troca dos implantes a cada 10-13 anos, embora haja pacientes que mantém seus ótimos resultados por períodos mais prolongados. Casos de ruptura, deformidades morfológicas, encapsulamento severo, infecção ou desenvolvimento de doenças mamárias incompatíveis com a permanência das mesmas no organismo são indicações de troca dos implantes. Um adequado acompanhamento cirúrgico e mamográfico ajudará a detectar precocemente qualquer alteração indicando o melhor tipo de tratamento.

CIRURGIA


O tipo de anestesia empregada fica a critério da equipe cirúrgico-anestésica, na dependência da avaliação de cada caso, podendo ser realizada sob anestesia local com sedação, sob bloqueio peridural ou anestesia geral.
O tempo da cirurgia pode variar dependendo da extensão do tratamento proposto e das características individuais de cada paciente, durando em média 1 a 2 horas. Geralmente, a permanência hospitalar é de 12 a 24 horas.
A localização das incisões é uma das maiores preocupações das pacientes que desejam esta cirurgia. Isto é bastante compreensível, já que o aspecto das mamas é uma parte fundamental da identidade feminina. Embora nenhuma incisão possa ser considerada a melhor, observamos que a grande melhora obtida em termos de formato e auto-estima é geralmente mais valorizada do que a presença de cicatrizes. Na realidade, em termos de visibilidade após a cirurgia, a qualidade da cicatriz é mais importante do que o seu tamanho e localização.
O implante pode ser inserido basicamente através de três vias de acesso: por uma pequena incisão no sulco abaixo das mamas, na junção entre a aréola e a pele da mama, ou na axila. Cada uma destas tem suas vantagens e desvantagens, que devem ser discutidas amplamente. A escolha final dependerá da sua preferência, do formato das suas mamas, e da recomendação do cirurgião. Independentemente da técnica, o posicionamento das incisões e o nível de acabamento devem ser cuidadosos, visando tornar as cicatrizes finais praticamente imperceptíveis.
Basicamente, o implante pode ser colocado entre o tecido mamário e o músculo peitoral (posição retroglandular), entre a fáscia peitoral e o músculo peitoral (posição retrofascial) ou entre o músculo peitoral e a parede torácica (posição retromuscular). A escolha da técnica depende fundamentalmente da espessura da pele e da quantidade de tecido mamário disponível para cobrir o implante. Em geral, a colocação do implante na posição retroglandular ou retrofascial permite um controle mais preciso e previsível em termos do resultado final. Porém, um pré-requisito fundamental é haver tecido suficiente para cobrir o implante, já que caso contrário as bordas podem ficar visíveis e/ou palpáveis. Em pacientes muito magras com pouco tecido no pólo superior da mama, a abordagem submuscular pode evitar este problema.
Após a cirurgia, os mamilos apontarão na mesma direção de anteriormente. Qualquer correção na sua posição aumenta significativamente o risco de lesão dos nervos responsáveis pela sensibilidade e resultará obrigatoriamente em uma cicatriz visível em volta da aréola. Consequentemente, o reposicionamento cirúrgico destas estruturas só deve ser realizado em pacientes com alterações graves de posicionamento, assimetrias muito importantes ou naquelas dispostas a aceitar os riscos envolvidos.
Os implantes mamários podem ser muito úteis na correção da ptose mamária. Quando não existe tecido suficiente na própria mama, o volume pode ser aumentado utilizando um implante de silicone e a flacidez de pele ajustada para se corrigir a queda com o reposicionamento superior dos tecidos. Nestes casos, as cicatrizes serão de acordo com a necessidade de acomodação dos tecidos mamários, podendo ser periareolares, verticais, em forma de “L”, em “T” invertido, ou uma combinação destas. Em geral, o tamanho e tipo de cicatriz acaba sendo proporcional ao grau de flacidez presente.
Com o tempo, a cicatriz geralmente assume aspecto de uma linha de tonalidade semelhante à da pele e localizadas em áreas que possam ser encobertas pelas vestes de banho. Entretanto, o resultado final vai depender da reação de cada organismo.
Nas cirurgias reconstrutoras, as cicatrizes seguirão o padrão da cirurgia anterior, estando de acordo com a deformidade encontrada no momento da reparação.

RECUPERAÇÃO


O paciente deve permanecer em repouso absoluto por cerca de 48 horas. Após esse período recomendamos repouso relativo por mais 3 semanas evitando elevar os braços acima do nível dos ombros nas duas primeiras semanas.
Pontos não reabsorvíveis são removidos aproximadamente após 7 a 10 dias. A maioria dos pacientes retorna às suas atividades laborativas em aproximadamente 5 a 7 dias e às atividades físicas em tono de 30 a 60 dias, dependendo do tipo de trabalho, do tipo de atividade física e da evolução pós-operatória de cada paciente. Drenos, quando utilizados, são normalmente removidos após 1 a 2 dias.
Deve-se utilizar um sutiã apropriado por um período de 30 a 60 dias visando proporcionar um maior conforto e sustentação, acelerar a absorção do edema (inchaço) e ajudar a manter os implantes na posição ideal. Sessões de drenagem linfática devem ser iniciadas tão logo o paciente tolere a realização do procedimento. A freqüência e duração deste tratamento dependem da indicação médica e da avaliação do profissional de fisioterapia responsável.
Assim como qualquer procedimento cirúrgico, a mamoplastia de aumento com ou sem ressecção de pele envolve a realização de incisões em alguma parte da mama. Apesar das cicatrizes serem permanentes, elas esmaecem com o tempo, e o processo de maturação gradual e seu tratamento podem fazer com que elas adquiram uma coloração muito semelhante à pele da mama após algum tempo, tornando-se praticamente imperceptíveis. Recomendamos o tratamento das cicatrizes durante os primeiros 6 meses, visando evitar cicatrizes escurecidas, hipertróficas e quelóides, entretanto, o resultado final vai depender da reação cicatricial de cada organismo. Para a maioria das pacientes, a melhora obtida no formato das mamas costuma compensar a presença das cicatrizes.
As mamas não apresentam o mesmo tamanho e forma e, após a cirurgia, ainda poderá haver alguma pequena diferença entre elas.
O resultado final pode ser apreciado somente depois que o implante estiver adaptado e o inchaço tiver desaparecido por completo, que ocorrem geralmente após 3 a 6 meses.
É importante lembrar que a forma das mamas continuará sofrendo mudanças ao longo do tempo. Entretanto, os resultados da cirurgia de implante mamário normalmente são duradouros, o que significa que as mamas permanecerão firmes por muitos anos.
Após a cirurgia todas as pacientes devem continuar realizando rotineiramente a prevenção do câncer de mama através de auto-exames freqüentes, mamografias regulares e consultas com o mastologista.

A mamoplastia de aumento como qualquer outro procedimento cirúrgico estético exige capacitação profissional em Cirurgia Plástica.
Os aspectos referentes à esta e outras cirurgias no que diz respeito aos cuidados pré e pós-operatórios serão abordados em informativos mais detalhados fornecidos durante a consulta médica.