• CIRURGIA RECONSTRUTORA • RECONSTRUÇÃO DE MAMA
|
RECONSTRUÇÃO DE MAMA
 ASPECTOS GERAIS
As mamas têm um papel fundamental e complexo na vida da mulher. São elas que ligam a mãe a seu bebê, conferindo-lhe proteção biológica através da amamentação e criando um laço afetivo com o recém nascido. Além disso, nota-se a grande influência das mamas nas questões relativas à feminilidade e sexualicade, trazendo conotação de beleza estética e de contorno corporal. Mesmo sendo possível perceber esta vital importância das mamas, ainda assim é difícil dimensionar e compreender todo o sofrimento que permeia o interior de uma mulher quando esta se vê diante de uma situação de mutilação, em que seja necessário realizar uma ressecção parcial ou total de suas mamas em virtude do tratamento de lesões tumorais mamárias. Os tumores malignos das mamas geralmente são muito agressivos e consequentemente, o seu tratamento também, visando preservar a vida da paciente em primeiro lugar. Conforme o tipo do tumor, localização, tamanho, estadiamento, etc, são programadas ressecções teciduais e terapias complementares como a radio ou a quimioterapia. Estes aspectos devem ser conduzidos por uma equipe especializada de mastologia, priorizando a resolução oncológica adequada destas lesões. A cirurgia plástica asume papel importante neste panorama, contribuindo para a reconstrução das mamas mastectomizadas, na tentativa de melhorar a auto-estima e a qualidade de vida destas pacientes. Nas últimas décadas, diversas técnicas foram desenvolvidas com o objetivo de minimizar o trauma psicológico das mulheres que têm suas mamas amputadas, enfrentando uma grande perda para seu contorno corporal. Estas envolvem o uso de tecido autólogo (do próprio paciente), próteses ou expansores para proporcionar um volume adequado à região da mama ressecada, já que ainda não é possível construir integralmente uma nova mama, com todas as suas estruturas glandulares e parenquimatosas. Todas as técnicas tem como objetivo principal, construir uma nova mama com aspecto natural (com reposição do volume perdido e da simetria e reconstrução do complexo aréolo-mamilar), que cumpra com as expectativas psicológicas e estéticas da mulher, respeitando sempre os princípios do tratamento do câncer de mama, sem afetar o prognóstico e a detecção de recorrências.
CIRURGIA
A escolha da técnica utilizada na reconstrução é um processo altamente individualizado que depende de fatores como o tamanho e forma da mama, localização e tipo de tumor, tamanho da ressecção, disponibilidade de tecidos na mama e em outros locais, necessidade de tratamentos complementares e fatores clínicos de cada paciente. Dessa forma, a reconstrução mamária pode ser feita com retalhos de pele e subcutâneo (em casos menores), retalhos musculares, como por exemplo do músculo grande dorsal ou dos músculos retos do abdome (TRAM – Transverse Rectus Abdominal Muscle flap), assim como com o uso de próteses de silicone e expansores teciduais. Cada caso exige avaliação da qualidade dos tecidos remanescentes na região mamária, para que seja programada a reconstrução mais indicada. Os retalhos locais recebem esse nome porque a sua área doadora situa-se na vizinhança da mama que sofreu a retirada do tumor e geralmente são utilizados em casos de retirada parcial da mama ou como complementação a outra técnica. Podemos citar como exemplo o Retalho Toracolateral, que utiliza o excedente de pele e subcutâneo da região lateral do tórax para a reconstrução da mama. O retalho miocutâneo do músculo grande dorsal é vascularizado pela artéria toracodorsal e sua proximidade à parede torácica faz com que seja ideal para fornecer músculo, pele e tecido adiposo subcutâneo, através da transposição do retalho do dorso para o local da nova mama. Uma complementacão com a inclusão de um dos diferentes tipos de expansores e implantes sob o retalho permite alcançar o volume necessário para conseguir uma mama com contorno e tamanho mais natural, o que não seria possível simplesmente com o retalho. No retalho transverso miocutãneo do músculo reto abdominal (TRAM), a mama é reconstruída com retalho de tecido da porção inferior do abdômen, que é transposto para o local da nova mama, onde é modelado. O suprimento sanguíneo do retalho é garantido pelo músculo reto do abdome, podendo-se levar um (monopediculado) ou os dois (bipediculado) músculos retos durante a reconstrução. Em alguns casos, utiliza-se a microcirurgia e o retalho é submetido à uma anastomose vascular na área receptora, denominando-se TRAM livre ou microcirúrgico. Na reconstrução com expansor e implante mamário, utiliza-se um expansor cutâneo, que é preenchido progressivamente com solução fisiológica até atingir o volume desejado. Uma vez atingida a expansão tecidual desejada, uma segunda cirurgia é realizada para reitirada do expansor e substituição deste por um implante mamário.
RECUPERAÇÃO
Salvo algumas particularidades em virtude do tipo de técnica utilizada na reconstrução mamária, os cuidados pós-operatórios são os mesmos da mamaplastia redutora e da mastopexia. Detalhes sobre vantagens, desvantagens, indicações e contra-indicações de cada uma dessas opções técnicas aqui apresentadas poderão ser fornecidos após anamnese e exame físico detalhado, realizados durante a consulta médica.
A cirurgia de reconstrução mamária como qualquer outro procedimento cirúrgico reparador exige capacitação profissional em Cirurgia Plástica. A devida experiência da equipe médica e uma adequada estrutura multidisciplinar são fundamentais para uma boa condução clínica e cirúrgica desse grupo específico de pacientes.
|