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ANESTESIA EM CIRURGIA PLÁSTICA![]() A Anestesiologia é a especialidade médica que estuda e proporciona ausência ou alívio da dor e outras sensações ao paciente que necessita realizar procedimentos médicos, como cirurgias ou exames diagnósticos, identificando e tratando eventuais alterações das funções vitais. A anestesia é um procedimento fundamental na manutenção da saúde do paciente durante a cirurgia, devendo ser realizada por um profissional médico especialista nesta area com formação profissional adequada. Este deve possuir experiência prática com a realização de todos os procedimentos, habilidade nas resoluções de emergências e possuir conhecimento técnico sobre o funcionamento adequado dos equipamentos, oferecendo ao paciente uma cirurgia com níveis máximos de segurança. A sala cirúrgica deve possuir equipamentos modernos e confiáveis, sendo confortável tanto para o paciente como para equipe médica. A Sociedade Americana de Anestesiologia (ASA) estabelece diretrizes mínimas de monitorização para pacientes que serão submetidos a qualquer procedimento cirúrgico. Isso inclui aparelhos de eletrocardiagrama (ECG), batimento cardíaco, pressão arterial, gases expirados e inspirados, nível de oxigenação do sangue e temperatura. Estes aparelhos devem ser checados diariamente, para que a cirurgia seja executada com segurança. A visita pré-anestésica é o primeiro contato do paciente com o anestesista e geralmente ocorre no dia da internação do paciente para realização do ato cirúrgico. Nesta breve entrevista, os antecedentes clínicos e cirúrgicos do paciente são discutidos detalhadamente, assim como eventuais doenças e medicações em uso. O anestesista deve checar os exames pré-operatórios, explicar as etapas da anestesia e detalhar as reações típicas do despertar. Ao final da entrevista, o paciente (que deve estar em jejum de pelo menos 8 horas) recebe um medicamento pré-anestésico para induzir o sono e diminuir o registro da memória em relação às manobras iniciais da anestesia em sala cirúrgica, deixando o paciente mais confortável. Existem três diferentes tipos de anestesia em cirurgia plástica: a anestesia local combinada ou não à sedação, a anestesia regional e a anestesia geral. A anestesia local baseia-se na infiltração de anestésicos locais nas proximidades da área a ser operada, usualmente empregada em cirurgias de superfície de pequeno ou médio porte. Auxilia no tratamento da dor pós-operatória quando utilizada sozinha ou em associação com outras técnicas anestésicas. Esta técnica é realizada preferencialmente em pacientes com boa saúde e estáveis emocional e fisicamente. Sempre sob adequada monitorização, drogas sedativas (injetadas na veia do paciente) podem ser usadas para induzir um sono leve a moderado durante a realização do procedimento. A anestesia regional envolve uma maior área do corpo pela administração de anestesia em um grupo de nervos (plexo nervoso), atingindo áreas mais setorizadas como o tórax, abdome e membros. As anestesias regionais frequentemente utilizadas são a anestesia raquidiana (ou espinhal), a anestesia peridural (ou epidural) e os bloqueios regionais. A anestesia raquidiana também chamada de raquianestesia, anestesia intra-tecal e anestesia subaracnóidea, baseia-se na administração de anestésico local diretamente no líquor. Suas principais vantagens são início rápido de ação (curta latência, boa intensidade de bloqueio sensitivo e motor e possibilidade de analgesia pós-operatória prolongada. Possíveis desvantagens são a maior ocorrência de cefaleia em relação às outras técnicas anestésicas e a limitada duração da anestesia quando utilizado técnica sem a colocação de catéteres (o mais comum). Os bloqueios regionais tentam impedir a condução do estímulo doloroso na emergência de nervos e troncos, a exemplo do bloqueio do plexo braquial realizado na região cervical ou axilar, visando anestesia de todo o membro superior, ou até mesmo o bloqueio de troncos nervosos ao nível do cotovelo, do punho, ou ainda nas porções proximais dos dedos visando anestesia de todo o dedo. Existe ainda uma técnica de bloqueio regional intra-venoso para cirurgias rápidas dos membros superiores e membros inferiores (pé e terço distal de perna, principalmente). Estas técnicas de anestesia regional, além de tirar a dor, oferecem uma sensação de dormência e relaxamento muscular na área anestesiada. Drogas sedativas (injetadas na veia do paciente) são costumeiramente usadas para induzir um sono leve a moderado durante a realização do procedimento, maximizando o conforto do paciente. Anestesia geral refere-se a um estado de inconsciência reversível, imobilidade, analgesia, bloqueio dos reflexos autonômicos e maior controle e proteção das vias aéreas obtidos pela administração de fármacos específicos e intubação oro ou nasotraqueal associada à ventilação pulmonar mecânica. Os componentes de uma anestesia geral são a analgesia, hipnose, controle dos reflexos autonômicos e relaxamento muscular. Na atualidade para realização de uma anestesia geral utiliza-se comummente: hipnóticos visando inconsciência e amnésia; opióides visando analgesia e proteção contra os reflexos autonômicos; bloqueadores neuromusculares visando imobilidade; bloqueios regionais associados visando analgesia e proteção autonômica; fármacos adjuvantes visando efeitos diversos como controle da pressão arterial, frequência cardíaca, tratamento de intercorrências tais como alergias entre outras funções. A anestesia geral é indicada para procedimentos de maior porte que necessitam de inconsciência total, maior controle e proteção das vias aéreas. Esta técnica é mais segura em pacientes que possuem doenças crônicas e/ou que utilizam medicamentos indutores do sono, antidepressivos, ansiolíticos, drogas ilegais e álcool. A anestesia geral pode ser realizada utilizando anestésicos endovenosos e/ou agentes inalatórios, que são gases e líquidos voláteis oferecidos de Quanto maior a profundidade da anestesia, maior o grau de inconsciência, abolição da memória e bloqueio da percepção da dor e do despertar durante a cirurgia. O avanço tecnológico da indústria farmacêutica, obtido nas últimas décadas, propiciou o aumento da potência e diminuição no tempo do efeito dos anestésicos, possibilitando um despertar mais rápido, suave e seguro. Os riscos e complicações em anestesia dependem de vários fatores, em sua grande maioria controláveis. Nesta avaliação, seguramente, o mais importante é a condição física e mental do paciente no momento da cirurgia. Por isso, pacientes com problemas cardíacos, hipertensão arterial, quadros pulmonares e outras doenças crônicas devem ser rigorosamente avaliados antes da cirurgia e só serão anestesiados se estiverem compensados clinicamente. As possíveis reações adversas à anestesia dependem da região operada, tempo e porte da cirurgia bem como da técnica anestésica escolhida. Sonolência residual e náusea são comuns e geralmente de curta duração, pois os medicamentos atuais são rapidamente metabolizados pelo organismo do paciente. Outra reação freqüente é o tremor, causado pela exposição da superfície corporal ao ar ambiente e uso de líquidos alcoólicos para higienização da pele no preparo para a cirurgia, que podem levar à queda da temperatura corporal. A infusão de soro aquecido e o uso de mantas térmicas, durante a cirurgia, são úteis para minimizar este problema. As alergias são quadros pessoais e relativamente raros. Estas reações são geralmente pouco graves e possuem tratamentos efetivos e consagrados. Em alguns casos, a reação alérgica pode ser mais grave e ter um desfecho preocupante. Portanto, é essencial comunicar o anestesista caso haja alguma alergia conhecida antes de começar a cirurgia. A Hipertermia maligna é uma doença muscular hereditária, latente, potencialmente grave, caracterizada por resposta hipermetabólica após exposição a determinados tipos de anestésico inalatório, ou a um determinado tipo de relaxante muscular. Atualmente dispomos de centros de informação nacional, bancos de dados e protocolos mundiais de tratamento, que oferecem índices de sucesso no tratamento acima de 95%. A melhor anestesia é aquela considerada a mais segura e que permite o maior grau de controle durante a cirurgia. A presença de um anestesiologista garante uma segurança superior aos procedimentos de cirurgia plástica e auxília o cirurgião na administração e condução de diversas drogas anestésicas durante o ato operatório. É importante frisar que todo procedimento anestésico requer cuidado e atenção pelo profissional executante. Dessa forma, ressalta-se ainda que o local onde é executado o procedimento deve oferecer todo o suporte para a realização do procedimento e da recuperação pós-anestésica do paciente. |