Manual do Paciente


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RISCOS EM CIRURGIA PLÁSTICA

Ao contrario de uma cirurgia de emergência, a cirurgia plástica é uma cirurgia eletiva, e tem por obrigação ser realizada no melhor momento para o paciente, minimizando os potenciais riscos desse procedimento. Para isso é necessário que o paciente faça uma escolha criteriosa do cirurgião, realize o procedimento em local adequedo, fale abertamente sobre a sua saúde e eventuais medicamentos que faz uso e siga à risca as orientações pré e pós-operatórias. Ainda assim, todo e qualquer procedimento cirúrgico, por mais simples que seja, envolve algum risco de complicações.

A cirurgia plástica, assim como tudo na medicina, não é uma ciência exata e, por vezes, mesmo seguindo a risca todas as precauções e procedimentos necessários, o corpo pode responder de forma inesperada. Se apesar de todo cuidado, o infortúnio acontecer, não culpe o seu médico – ele provavelmente estará tão desconfortável quanto você.

Felizmente, complicações graves são raríssimas de acontecer e a maioria das complicações acaba levando apenas a um prolongado período de recuperação, sem comprometer o resultado final da cirurgia.

O cirurgião competente e preocupado sabe como resolver a complicação e vai ficar ao seu lado até tudo ser resolvido. Afinal, você é o cartão de visitas do médico. É importante, porém, que este aborde abertamente as causas do problema e suas eventuais soluções com honestidade e clareza, a fim de minimizar a ansiedade do paciente.

É fundamental que o médico tenha humildade suficiente para perceber que não é capaz de resolver o problema, indicando um especialista se assim achar necessário. Em alguns casos, a insistência na terapêutica inadequada poderá agravar ainda mais o problema.

Naturalmente, ao se considerar a realização de uma cirurgia, especialmente de cunho estético, nunca se pensa que uma complicação possa vir a acontecer com você. Ainda assim, riscos e complicações acontecem ocasionalmente, por isso é bom ter algum grau de conhecimento sobre as intercorrências mais comuns.

Sangramentos podem vir a ocorrrer durante e/ou após a realização da cirurgia, podendo interferir no processo de cicatrização e aumentar o risco de infecção. Medicamentos como aspirina, anti-inflamatórios e fitoterápicos, maximizam o risco de sangramento, devendo ser suspensos por um perído de duas semanas antes e após o procedimento. Hipertensão arterial descontrolada, dor, vômitos, esforço excessivo e constipação podem causar sangramento após a cirurgia. Caso ocorra um sangramento no pós-operatório, o sangue acumulado deve ser prontamente drenado.

Independente do uso de drenos, podem ocorrer acúmulos de fluido entre a pele e as estruturas profundas devido à liquefação de gordura. Estes são chamados de seroma. Se isso ocorrer, podem ser necessários a realização de procedimentos como massagens, curativos compressivos e drenagem do liquido através de punção.

Infecções em cirurgias plásticas, atualmente, são bastante raras. Porém, é importante que você saiba reconhecer os seus principais sinais e sintomas, para que possa avisar seu médico. Os sinais sistêmicos incluem febre, sensação de moleza e calafrios enquanto que os sinais locais mais comuns são vermelhidão ao redor da incisão, inchaço, dor, calor e por vezes saída de pus por entre os pontos. Infecções superficiais são geralmente tratadas com antissepsia adequada, curativos e pomadas de antibióticos. As infecções mais profundas podem necessitar de antibioticoterapia sistêmica e até uma cirurgia de desbridamento para realizar a limpeza eficaz.

Raramente lesões de estruturas profundas como vasos sanguíneos, músculos e nervos ocorrem durante a realização da cirurgia. Lesões nervosas, tanto motoras quanto sensitivas, podem causar graus variáveis de paralisia muscular e alterações de sensibilidade na área operada. Essas alterações costumam ser temporárias com retorno da função normal, habitualmente, após alguns meses. Seqüelas permanentes são raras.

Durante o período de cicatrização, qualquer incisão pode evoluir de forma mais lenta que a habitual devido a fatores como infecção, tensão na ferida, diminuição da circulação local, fumo, aumento da pressão externa, desnutrição, carência de vitaminas, diabetes e outras síndromes clinicas. Para diminuir os riscos de abertura da ferida operatória e da cicatrização prolongada, é fundamental estar em boas condições de saúde na hora da cirurgia. Felizmente, o resultado final não costuma ser significativamente afetado e pode ser melhorado, caso necessário, através de pequenas cirurgias de correção na área da cicatriz.

Apesar da utilização das técnicas mais modernas em cirurgia plástica, é possível que cicatrizes anormais surjam na pele e/ou nos tecidos profundos. Curiosamente, algumas pessoas e/ou regiões do corpo (peito, ombro e face) possuem uma tendência maior à formação de cicatrizes hipertróficas e quelóides. As cicatrizes podem apresentar relevo e coloração diferentes da pele vizinha, bem como sintomas como queimação, prurido e dor, podendo alargar-se discretamente durante o pós-operatório. Apesar de ser impossível prever a resposta de cada paciente, os sintomas e a aparência das cicatrizes costumam melhorar durante o processo de maturação que ocorre em qualquer cicatriz  que pode durar de seis meses a dois anos. Além do emprego de técnica refinada, como medida preventiva, tratamentos adicionais incluindo massagens com cremes específicos, curativos especiais, injeção de corticóides, aplicação de placas de silicone e/ou espuma compressiva, antibióticos, betaterapia e até mesmo cirurgia podem ser necessários para melhorar o aspecto das cicatrizes.

Ocasionalmente, podem ocorrer reações alérgicas às substâncias anti-sépticas, pomadas, suturas, esparadrapos e medicamentos utilizados durante o tratamento. Estas reações são raras, simples e facilmente resolvidas através da suspensão e/ou substituição do agente causador. Em circunstâncias extremamente raras, as reações alérgicas podem ser graves e necessitarem de tratamento hospitalar. Os sinais de alergia incluem o aparecimento de placas ou manchas avermelhadas na pele (especialmente nas partes expostas ao sol), inchaço e prurido no local onde houve contato com o agente responsável. Se isso acontecer, interrompa imediatamente o uso de qualquer substância que leve ao aparecimento destes sintomas e comunique prontamente o seu médico.

O corpo humano é naturalmente assimétrico. Portanto, podem haver pequenas variações em relação à simetria dos resultados obtidos pela cirurgia, especialmente em casos onde a assimetria está presente antes do procedimento. Em outras palavras, mesmo seguindo um planejamento técnico rigoroso que normalmente é capaz de proporcionar resultados satisfatórios, é impossível garantir a perfeita simetria dos resultados. Caso ocorra uma assimetria passível de correção, pequenos procedimentos adicionais poderão ser realizados.

Os procedimentos em cirurgia plástica visam corrigir deformidades e melhorar a aparência. Apesar dos procedimentos serem realizados com grande probabilidade de sucesso, a especialidade não é uma ciência exata e a insatisfação pode ocorrer tanto para os pacientes quanto para o cirurgião. Felizmente, os resultados adversos são raramente permanentes e podem ser melhorados através da realização de cirurgias adicionais de correção.

Complicações clínicas graves, como alguns tipos de reação alérgica a medicamentos, embolia pulmonar, arritmias cardíacas, infarto e hipertermia maligna são extremamente raras. Antecedentes clínicos e cirúrgicos do paciente deverão ser discutidos detalhadamente, assim como eventuais doenças e medicações em uso, para que a sua cirurgia seja planejada de forma mais segura. A realização das cirurgias em clínicas e/ou hospitais adequadamente aparelhados segundo a legislação e com técnicas de anestesia de última geração tem reduzido significativamente a ocorrência destas complicações.

Está claro que, pacientes fumantes apresentam um risco maior de complicações em relação a cicatrização. O fumo retarda a capacidade de recuperação do corpo devido aos efeitos da nicotina, que causa constrição dos vasos e uma diminuição do aporte de nutrientes para a cicatrização da região operada. Fumantes têm maior tendência a infecções, problemas na pele e complicações com a anestesia em certas cirurgias. A diferença é tão impressionante que a maioria dos cirurgiões plásticos insiste que seus pacientes parem de fumar por pelo menos 3 a 4 semanas antes da realização do procedimento, principalmente em cirurgias da face, mamas e do abdome. Alguns cirurgiões fazem a cirurgia apesar do paciete continuar fumando. Entretanto, os riscos são maiores e o resultado final pode ser insatisfatório. Patches e chicletes de nicotina também devem ser interrompidos antes da cirurgia.

Alguns medicamentos podem aumentar os riscos de complicações intra e/ou pós-operatórias, devendo ter seu uso suspenso antes da realização da cirurgia. Aspirina e ervas medicinais (Arnica, Ginko Biloba), aumentam substancialmente o risco de sangramento durante a cirurgia, devendo ser suspensos 15 dias antes da cirurgia. Algumas fórmulas para emagrecimento contém substâncias que podem predispor o paciente a problemas cardiovasculares e/ou pulmonares durante ou após a cirurgia. Esses efeitos persistem por um longo tempo após a interrupção da medicação, portanto necessitam ser suspensos pelo menos 30 dias antes da cirurgia. O álcool é uma droga que pode afetar o resultado de sua cirurgia. Pode reduzir a capacidade de formar coágulos, aumentando o sangramento e elevando o risco de desenvolver hematomas. Para minimizar esses problemas, abstenha-se por pelo menos 7 dias antes e 14 dias após a realização da cirurgia.
 
A cirurgia plástica um é um procedimento médico que exige capacitação profissional adequada. Não se trata de um procedimento isento de riscos, devendo ser realizado com prudência e responsabilidade. Em mãos devidamente habilitadas, geralmente as complicações são raras e transitórias, portanto a devida experiência da equipe médica é fundamental para uma boa condução clínica dos casos.