ASPECTOS GERAIS
O aumento excessivo do volume da mama masculina pode ser causa de grande constrangimento e desconforto psicológico.
Chama-se Ginecomastia quando esse aumento de volume da mama for caracterizado por uma hipertrofia benigna da glândula mamária e Pseudoginecomastia (lipomastia) quando esse aumento for caracterizado apenas por uma hipertrofia do tecido gorduroso. Um componente misto ocorre quando tanto glândula quanto gordura estiverem presentes.
Esta condição ocorre fisiologicamente em algumas fases da vida, como no recém-nascido, na puberdade e na velhice. O tecido mamário palpável desenvolve-se transitoriamente em mais de 67% de todos os recém-nascidos devido à passagem de hormônios (estrogênio) transplacentários. A ginecomastia puberal tem sido relatada em cerca de 64% dos meninos adolescentes, com um pico de incidência aos 14 a 15 anos de idade e uma média de duração de 1 a 2 anos. Durante a meia-idade, cerca de 30% dos homens desenvolvem ginecomastia. A prevalência aumenta para mais de 60% na sétima década de vida.
A maioria dos pacientes é assintomática, porém podem ocorrer sintomas como dolorimento ou sensibilidade nas mamas ou mamilos. Geralmente, a apresentação é bilateral, mas pode ser unilateral ou bilateral assimétrica.
Na investigação diagnóstica de um paciente com ginecomastia, devem ser avaliados também testículos, fígado, tireóide e o estado nutricional. Isso porque, além da etiologia fisiológica, a ginecomastia pode ter causas patológicas ou farmacológicas. As causas patológicas podem incluir: cirrose hepática, má-nutrição, hipogonadismo, síndrome de Klinefelter, neoplasias (tumores testiculares, adrenais, pulmonares e hipofisários), doenças renais, hiper ou hipotireoidismo, etc. As causas farmacológicas podem ser devidas ao uso de: estrógenos, cimetidina, maconha, diazepam, espironolactona, digoxina, reserpina, teofilina, finasterida, esteróides anabolizantes entre outros.
Em relação à evolução habitual dos casos, observa-se que a ginecomastia fisiológica da puberdade em geral regride espontaneamente em torno de dois anos. Na relacionada a drogas, a retirada da medicação quase sempre leva à regressão. Se a ginecomastia for antiga, é improvável que regrida espontaneamente.
Uma criteriosa avaliação deve ser feita afim de se determinar a provável causa da hipertrofia mamária. Em alguns casos uma avaliação do Endocrinologista poderá ser necessária.
Uma vez analisadas as causas primárias da doença, o cirurgião irá avaliar a necessidade ou não de cirurgia.
Assim, as indicações cirúrgicas para o tratamento da ginecomastia são: adolescentes com um aumento que persiste por pelo menos 18 a 24 meses, pacientes sintomáticos, ginecomastia antiga levando a fibrose, pacientes com risco para carcinoma (por exemplo, na Síndrome de Klinefelter).
CIRURGIA
A cirurgia plástica para tratamento de ginecomastia pode ser realizada em pacientes a partir da adolescência, desde que gozem de boa saúde física e psicológica.
O tipo de anestesia empregada fica a critério da equipe cirúrgico-anestésica, na dependência da avaliação de cada caso, podendo ser realizada sob anestesia local com sedação, anestesia peridural com sedação ou sob anestesia geral. O procedimento dura em torno de 1 hora.
O tratameno cirúrgico depende do tipo de hipertrofia mamária (glandular, gordurosa ou mista) e do grau de acometimento dos tecidos, e geralmente envolvem a lipoaspiração, ressecção da glândula mamária e a ressecção do excesso de pele. Esses procedimentos podem ser utilizados isoladamente ou em combinação.
Assim cada caso deve ser avaliado e o tratamento individualizado. Em casos de hipertrofia do tecido gorduroso isolado, uma lipoaspiração pode ser suficiente. Nos casos em que o tecido glandular encontra-se hipertrofiado, uma incisão cirúrgica periareolar com ressecção da glândula mamária se faz necessária. Em casos de hipertrofia mista realiza-se uma lipoaspiração para retirada da gordura e a incisão periareolar para ressecção do tecido glandular. Em alguns casos pode ser necessário a remoção do excesso de pele.
Drenos podem ser colocados abaixo da pele para evitar coleções de líquidos na área descolada e serão retirados no pós-operatório.
RECUPERAÇÃO
É uma intervenção cirúrgica simples que geralmente não requer internação hospitalar.
Deve-se utilizar malhas de compressão elástica ao redor do tórax por um período de 15 a 30 dias, dependendo do tamanho da área descolada, visando maximizar a aderência dos tecidos e acelerar a reabsorção do edema (inchaço).
A maioria dos pacientes retorna às suas atividades laborativas em aproximadamente 2 a 3 dias e às atividades físicas em tono de 30 a 60 dias, dependendo do tipo de trabalho, do tipo de atividade física e da evolução pós-operatória de cada paciente.
Pontos não reabsorvíveis começam a ser removidos em média após o 7º dia.
Embora a cicatriz seja permanente, ela esmaece com o tempo, tornando-se praticamente imperceptível. Recomendamos o tratamento das cicatrizes durante os primeiros 6 meses, visando evitar cicatrizes escurecidas, hipertróficas e quelóides, entretanto, o resultado final vai depender da reação cicatricial de cada organismo.
A cirurgia para correção da ginecomastia como qualquer outro procedimento cirúrgico estético exige capacitação profissional em Cirurgia Plástica.
Os aspectos referentes à esta e outras cirurgias no que diz respeito aos cuidados pré e pós-operatórios serão abordados em informativos mais detalhados fornecidos durante a consulta médica.