ASPECTOS GERAIS
Orelha em abano é o mais comum de todos os defeitos congênitos das orelhas, podendo causar incômodo e constrangimento, principalmente na infância, levando a traumas psicológicos e de comportamento, que podem prejudicar o convívio social.
Tem característica familiar, sendo geralmente bilateral, e as alterações estruturais consistem basicamente de um aumento do ângulo entre a orelha e a cabeça e/ou alterações de relevos e dobras da cartilagem auricular.
A cirurgia plástica da orelha ou Otoplastia é um procedimento de características estéticas e reconstrutivas, que visa corrigir as alterações do formato da orelha. A idade ideal para se fazer uma otoplastia é de 5 a 7 anos, quando as orelhas já estão praticamente formadas e com tamanho semelhante ao do adulto. Essa estratégia evita que a criança fique exposta a eventuais traumas psicológicos resultantes de apelidos e gozações por parte dos colegas. Todavia, nada impede que tal correção seja feita em fases posteriores da vida.
CIRURGIA
Com o emprego de técnicas variadas e direcionadas a cada caso específico, é possível moldar a orelha, deixando-a com aparência mais natural e harmoniosa.
Realizada através de uma incisão localizada estrategicamente no sulco atrás da orelha, a otoplastia visa posicionar as orelhas mais próximas da cabeça e criar as dobras cartilaginosas que caracterizam esta parte do corpo. A “rotação” da orelha pode ser executada retirando-se um pedaço da cartilagem da concha (parte côncava adjacente ao orifício do conduto auditivo) e/ou simplesmente utilizando suturas. As dobras são geralmente criadas através do enfraquecimento da cartilagem e da sua modelagem com suturas para garantir a cicatrização dos tecidos na posição correta.
O tipo de anestesia empregada fica a critério da equipe cirúrgico-anestésica, na dependência da avaliação de cada caso, podendo ser realizada sob anestesia local, local com sedação ou sob anestesia geral.
O tempo da cirurgia pode variar dependendo da extensão do tratamento proposto e das características individuais de cada paciente, durando em média de 1 a 2 horas. Geralmente, não é necessária internação hospitalar.
Drenos podem ser colocados abaixo da pele para evitar coleções de líquidos na área descolada e serão retirados no pós-operatório.
RECUPERAÇÃO
O paciente deve permanecer em repouso absoluto por cerca de 48 horas.
O curativo em forma de capacete colocado no final da cirurgia poderá ser retirado após 24 a 48 horas. Uma bandagem elástica deverá ser usada sobre as orelhas por aproximadamente 30 dias.
As cicatrizes resultantes ficam bastante disfarçadas e quase imperceptíveis, uma vez que as incisões são realizadas atrás das orelhas. Em situações especiais incisões anteriores nas orelhas poderão ser necessárias.
Pontos não reabsorvíveis começam a ser removidos em média após o 10º dia.
A maioria dos pacientes retorna às suas atividades escolares ou laborativas entre 3 e 5 dias e às atividades físicas em tono de 30 dias, dependendo do tipo de trabalho, do tipo de atividade física e da evolução pós-operatória de cada paciente. Qualquer modalidade com risco de traumatismo deve ser evitada por aproximadamente 60 dias.
Os resultados são bastante satisfatórios e podem começar a ser notados a partir do sétimo dia, com a retirada dos curativos. Devido à delicadeza da cartilagem e às numerosas curvas existentes, o resultado final pode ser analisado somente após a reabsorção total do inchaço, que ocorre normalmente após 3 a 6 meses.
A otoplastia como qualquer outro procedimento cirúrgico estético exige capacitação profissional em Cirurgia Plástica.
Os aspectos referentes à esta e outras cirurgias no que diz respeito aos cuidados pré e pós-operatórios serão abordados em informativos mais detalhados fornecidos durante a consulta médica.